março 15, 2015

#V(i)EMos



#V(i)EMos

No dia 12 de Março de 2012, por volta da hora a que comecei a escrever este postal, andava a mil à hora. Não sabia do que iria precisar para a nova etapa que se avizinhava, pelo que as coisas mais impensáveis rapidamente se tornavam bens de primeira necessidade, como os cortinados transparentes Lill do IKEA ou o satélite da ZON. Actualmente, ainda lhes damos uso, bem como a muitas outras coisas que conseguimos empurrar para dentro do qashqai, incluindo a bagageira comprada de propósito para a viagem. Importava trazer o essencial para assegurar uma mudança minimamente suave e acolhedora, sendo o canudo o bem mais importante a par da vontade de singrar profissionalmente, em conjunto, sem nunca esquecer de onde partíamos.

março 07, 2015

# a temporada do exercício

a temporada do exercício

Desde pequena, que me lembro da minha mãe dizer que eu fui a única que não gatinhei. Era tão preguiçosa (e gordinha) que arrastava o rabo pela casa, acabando por limpar o chão por onde passava. A verdade é que lá chegava aonde queria e também é verdade que aprendi a andar. É curioso como qualquer inaptidão para a prática desportiva, faz soar o alarme desta memória de miúda, em que era preguiçosa desde bebé.

Os anos foram passando e o único desporto que me cativou por mais tempo foi o andebol, talvez pela força motriz ser o convívio com as amigas, do que o desporto em si. Desses tempos ficou um ombro danificado, que só me apercebi anos mais tarde e me fez recordar os avisos do treinador a aconselhar para não rematar sem antes ter aquecido. E as amizades desses tempo, que não desvanecem com o tempo e com a distância ©

Umas inscrições no ginásio, umas aulas de dança, mais inscrições no ginásio, mais dança, passando pelo funk, hip hop, step, localizada, jump, cycling, máquinas, bem como algumas experiências em coisas que já não me recordo. E, passados uns valentes anos, já no Reino Unido: let´s go to the gym! Como andava à procura de emprego, sempre ajudava a distrair. Fiquei mais fã do jacuzzi do que das aulas ou das máquinas. Experimentei a hidroginástica e até gostei, mais por relaxar do que por trabalhar algum músculo. A disposição não era a melhor, sempre a par da pouca vontade. Devia ser como em pequenina, não havia vontade para gatinhar.

Emagrece, ENGORDA, engorda, emagrece e olha, chega a Março e começo a pensar: vem aí o Verão e é preciso controlar estas gorduras. Se vivesse em Portugal, possivelmente entrava em pânico mais cedo. e na altura em que escrevo este postal já estava psicologicamente motivada para o exercício que se avizinha nos próximos tempos.

Aqui não há piscinas (FUJAM das piscinas públicas do Reino Unido e se alguém conhecer alguma privada que recomende, agradeço a dica), nem há Sol que dure, sem vir logo chuva atrás por uns dias. Em vez disso há as viagens low cost, para tudo o que fica no Sul da Europa, inclusive ilhas e paraísos recheados de english breakfast e de bifes disfarçados de camarões.

Daqui a pouco tempo, quando o feed de notícias do facebook começar a mostrar os primeiros mergulhos dos amigos, as bolas da praia (na praia), as selfies às unhas dos pés pintadas com cores da moda, eu ando a fazer abdominais para a banha não ganhar vida própria nas duas semanas de férias de rabo para o ar. O melhor é que tanto esforço vai por água a baixo, quando estou em Portugal: queijo fresco, pastel de nata, éclair da Leitaria da Quinta do Paço, Francesinha, rissóis, moletes, broa and much more... pronto, lá regresso a precisar de detox por uns tempos! E é o ciclo alimentar duma emigrante, que detesta correr mas corre a pensar na francesinha, tal burro com a cenoura a dançar à frente do focinho.

Por isso, nos próximos tempos, vou andar entretida a melhorar recordes pessoais. A próxima semana, é a semana dos 5, ou seja, 5 km e tal a correr sem paragens e o mais importante, sem resmungar, acompanhada do melhor PT do mundo: o marido paciente que não se importa de ficar moído das pernocas por ter de correr tão devagar. Eu compenso-o, eu compenso-o, depois de descansar ©©©

O meu recorde actual, no inicio desta temporada de exercício. 
Eu comunico quando melhorar ©

Fiquem bem,
Joana


fevereiro 01, 2015

#antony



antony

antony, de antony & the johnsons, mais especificamente antony hegarty.
gostar da voz dele é como gostar do Sócrates, ou se gosta ou se odeia: eu gosto, gosto muito, da voz dele.

as melodias brilhantes e aquela sensação de "roçar" que fica atrás no ouvido, são as principais razões que o tornam o meu artista preferido. gosto de vozes diferentes, é verdade. 

não sou fanática, mas ele continua lá, na primeira posição do meu pódio pessoal, que vale o que vale. a mim vale-me uns arrepios de prazer quando o ouço, inexplicável, idiota e, e mais nada.

as últimas notícias: atom dance do recém lançado álbum da Bjork, a colaboração com Yoko One (no lançamento de um álbum de comemoração do seu 82º aniversário) e a participação no festival Primavera Sound Barcelona 2015.

enquanto fico à espera de um concerto pelos cantos europeus (sem ser em festivais):

«favourite«

janeiro 21, 2015

chef Ivo #01

chef ivo #01

Note-se que ando com falta de inspiração. Na maioria das pessoas, o início do ano anda de mãos dadas com novas resoluções, mas a mim deve ter-me adormecido a musa inspiradora, o que pode ser consequência do número elevado de horas que tenho dormido.

O que não me adormece de todo é a comidinha do meu marido. Acaba por ser a verdadeira comfort food desta desterrada. Anima a alma por sentir o gosto português, por ser caseira e de confiança, e por saber que ele coloca um pitada de amor, para que me saiba sempre bem 

Domingo ao almoço, decidiu brindar-me com uma feijoada de bacalhau. Emigrante que é  emigrante acaba por colocar o bacalhau num pedestal. Qualquer receita em que se tropece e que envolva o nosso bacalhau, tem logo que ser experimentada. Obrigado Chef Tiger, gostaste tu e gostamos nós.

Se por estes lados existe o 50 shades of bacon  porque não as 50 sombras do bacalhau? - Ivo, lanço-te esse desafio! Eu cá vou aprender a fotografar as tuas obras, antes de esvaziar o prato.

Deixo-vos a receita, caso decidam arriscar experimentar:

dezembro 11, 2014

#áfrica

áfrica

sob o olhar atento dela, subia a medo às ameixoeiras, atrás da Pi que já estava a balouçar num ramo mais alto

ela alertava para não rondarmos muito o circo que montavam em frente a nossa casa, ainda a Praceta 18 de Dezembro era um monte de silvas, porque tinha medo de sermos raptadas

fez-me cantar a tabuada, antes do tempo

ensinou-me crochet e ensinou-me a bordar o ponto de cruz e o ponto de linha

agachávamo-nos junto a ela, a ouvir as rezas e rezinhas a Santa Rita, sob uma trovoada apocalítica, aos nossos ouvidos de meninas

ouvíamos as histórias de como tinha sido a primeira menina a fazer a 4ª classe, do quão queria ter continuado a estudar (por volta de 1925) mas teve que ajudar a mãe a criar as irmãs com 10 anos, após o pai ter morrido esmagado por um toro

disse-nos que, a pedido dos seus conterrâneos, lia cartas de pessoas que emigravam e lhes escrevia em resposta. dava injecções, sem ser enfermeira mas sendo a enfermeira do povo

ainda preservo os medos que me induziu, por crescer na que era/é apelidada de terra de bruxas, onde ela própria sabia talhar o mau olhado, a inveja e outras coisas da medicina popular, que para mim soavam a bruxedo. também contava a história do lobisomem e da estalada do diabo: numa noite de lua cheia, se olhássemos para trás num cruzamento (para o lado esquerdo), o mafarrico dava-nos um correctivo (sem qualquer justificação aparente)

ralhava e mimava
punha pimenta na língua quando dizíamos asneiras
adormecia com ela

votava no PSD porque tinha a setinha apontada para o céu. Contou como o meu avô fugiu para Espanha, com um compadre, aquando da Revolução dos Cravos, porque era tesoureiro da junta de freguesia na altura do salazarismo

achava que uma boa esposa era aquela que sabia cuidar do marido, ou seja, aquela que sabia cozinhar, sabia dobrar roupa e sabia cozer um botão. com cara séria, lá mencionava o nome de uma fulana, que após uma semana de casamento o marido a tinha devolvido a casa dos pais, para aprender a ser uma boa esposa

a minha avó África era uma avó como todas as avós, uma avó de Canelas, que viveu noutros tempos. por causa dela, ainda carrego dentro de mim alguma coisa de bem, que vai muito além dos medos de aldeia

não sei se aos olhos dela eu caberia na definição de ser uma boa esposa, mas acredito que se fosse viva, já teria uma conta do facebook e não iria desgostar de ouvir o Jerónimo de Sousa a culpar o "Grande Capital!"

certo é que iria conhecer o Ivo, com quem partilha o dia de aniversário, com 68 anos de diferença entre eles e certo é que, iria gostar muito dele... por me deixar tão feliz e me fazer sentir especial, por saber que nele encontro um amigo, um esposo, um confidente, um amante e acima de tudo, um cozinheiro, facilitando a minha tarefa de boa esposa

parabéns avó ÿ ©
                                      © parabéns amor ©

novembro 11, 2014

#claus


claus
Querido badochinha coca-colaólico,

Não sei muito bem para onde endereçar este breve postal, portador da minha extensa lista de pedidos. É de conhecimento geral que vives na Lapónia (Finlândia), todavia o Sr. Google deu-me a conhecer uma delegação tua, no outro lado do Pólo Norte, mais ou menos a 5300 km lá longe no Alaska. Parece que recebes muitas cartas mas só respondes a quem pagar, em que a originalidade do template é proporcional ao investimento na resposta. Não é que tenha perdido dinheiro com o BES, mas não estamos em maré de luxos, pelo que aceito as prendas como a tua resposta.

Avante, camarada Claus, avante que isto é para ser um post-it natalício sempre à vista do marido, porque já só faltam 43 dias para o Natal e a memória dele já não é o que era, no que toca a decorar as subtis-indirectas com que o vou bombardeando.  Tive que te usar como desculpa, porque enquanto tu dás forte nos ferrero rocher e nos mon chéri, o Ivo tem comido muito queijo desde o fondue de Lausanne. Já agora, obrigada em nome de todas as mulheres, por teres inventado a Coca-Cola ZERO!

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O que eu queria mesmo era poder escrever-te uma carta de agradecimento, enraízada de novo em Portugal. Acho que só seria possível se, ao passares por Belém e por S. Bento, levares uns ajudantes (in)voluntários para as tuas fábricas de brinquedos. Fora esse pedido, há umas quantas coisinhas que me enchem os olhos... Não tinha piada se dissesse logo tudo, pelo que deixo em forma de joguinho que podes levar contigo numa ida à casa-de-banho. 




Se te portares bem, tens à tua espera uma tigelinha de mulled wine e uns biscoitinhos de gengibre!

Beijinhos,
Joana

P.S. - gosto de ti Papai Noel ©©©

novembro 03, 2014

#energia

energia

Há 12 anos atrás, mais especificamente há 12 anos e quatro dias, inscrevi-me no curso de Engenharia Química no Instituto Superior de Engenharia do Porto. Foi apenas na 2ª fase que tropecei no curso pelo qual me viria a apaixonar, se bem que nessa altura o objectivo era manter-me ocupada. Enquanto isso, pensava eu, iria voltar a preparar-me para os exames nacionais do ano seguinte e conseguir entrar num curso de técnicos de saúde.

A vida tem uma forma peculiar de quantificar e de qualificar os nossos objectivos e assim de repente, o que hoje era verdade verdadinha e é uma primeira opção à qual nos dedicamos intensamente, passa para segundo plano num abrir e fechar de olhos.